Texto que está completando 10 anos de vida. Eu achei que tivesse perdido, mas agora eu acho que já achei ele denovo. Até que há 10 anos eu não escrevia tão mal assim.

 

O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO.

 

Para falar sobre tão controvertido tema é preciso lançar um fundamento bíblico um pouco esquecido: a atuação do Espírito Santo no Velho Testamento. Ainda que não haja espaço par um estudo profundamente detalhado, é preciso notar que o Espírito de Deus habita no meio do povo e não dentro das pessoas como diz Ageu: ” e o meu espírito habitava no meio de vós…” (2. 5b)

As atuações mais pessoais do Espírito Santo se dá com reis, profetas e sacerdotes, também com líderes do povo que exerciam uma função de rei e profeta, como Moisés, Josué, por exemplo (veja Números 27. 18). O Espírito possuía “ação móvel” estando na pessoa por algum tempo e podendo se retirar da pessoa como aconteceu com Saul (I Samuel 16. 14); e como Davi temia (Salmo 51. 11). Essa é razão da unção com azeite, que só o sacerdote podia misturar e pouquíssimas pessoas podiam ministrar, por que o Espírito é dado a poucos, não a todos.

Mas há uma esperança; a leitura de todo o capítulo 2 de Joel mostra algo totalmente desconhecido, destaque para alguns pontos importantes:

1.      Joel fala de conversão e santificação, uma conversão genuína, sem precedentes no Velho Testamento, é algo incompreensível , olhe os versos 12 e 13, isso não acontece num mundo ritualista como o hebreu entres de Jesus;

2.      Havendo essa conversão vem a benção de Deus, entre essas bênçãos, tais como, vitória sobre o inimigo, colheita abundante, etc., virá o “ensinador da Justiça” ( v. 23)

3.      Depois desse período especial vem o Espírito. Mas Ele vem sobre toda a carne, até sobre os escravos, parece que haverá uma ruptura entre o presente e o que haverá.

4.      Tudo isso aponta para o fim (v. 31) de destruição para alguns, mas de salvação para aqueles que invocam ao Senhor (v. 32) Isso tudo está ligado ao Espírito Santo e a Salvação final (escatologia)

Vale dizer ainda que essa me parece uma descrição resumida da relação de Deus e seu povo no Novo Testamento.

É preciso ainda lembrar que o homem à imagem de Deus recebe nas suas narinas o sopro de Deus, o que me parece que isso é, simbolicamente, o distintivo da imagem da imagem de Deus perdida na queda e tem uma relação direta com a nova criação que Paulo fala em Coríntios.

Dando um salto chegamos a Jesus discursando a seus discípulos em João 14. 16, 17, Ele diz que o Espírito  virá como o consolador enviado pelo Pai depois da sua glorificação. Veja o verso 17 e a distinção feita por Jesus: O mundo não pode recebe-lo; habita convosco (entre vós); estará em vós (dentro em vós).

De um modo didático Jesus profetiza aos seus discípulos após sua ressurreição em João 20. 22. Ele assopra sobre seus discípulos  (vento = pneuma = espírito) dizendo que receberiam o Espírito, mas eles não o recebem, se tivessem recebido Atos 1. 8 não diria que o Espírito haveria de vir sobre eles.

Pois ele vem, como prometido por Joel, profetizado por Jesus e aguardado por toda a carne. O que está acontecendo em Atos 2 no dia da festa da colheita ( a festa de pentecostes) é o cumprimento da profecia de Joel. Sendo assim, este momento marca o ponto em que o Espírito começa a trabalhar junto aos perdidos, mas não habita neles. Também os apóstolos, somente nesse momento recebem o Espírito (v. 4), só ali são cheios dele. Segue-se então, os sinais e prodígios que são o sinal da presença de Cristo em nome de quem fazem todas as coisas : pregam, curam, ensinam, são salvos de prisões, etc.). Sinal é sempre um indicativo de algo, diferente de um milagre, que não é necessariamente para provar algo (por exemplo, transformar água em vinho é um sinal do messias, muitas curas foram milagres, mas não provaram que era o Messias).

Quando o evangelho chega a Samaria e há conversões, eles não recebem de imediato o Espírito Santo, somente depois da vinda dos discípulos e mediante imposição de suas mãos é que isso acontece. A imposição de mãos simboliza a autoridade de quem impõe e a outorgação de autoridade sobre quem são impostas. Os discípulos que receberam autorização da parte de Deus  agora conferem isso aos samaritanos, se não fosse assim teríamos duas igrejas, uma que creria como nós e outra crendo num Antigo Testamento com cinco livros, e vai saber quantas aberrações mais teríamos. Por isso é como se dissessem; Foi sobre nós que Jesus soprou , foi sobre nós que primeiro desceu o Espírito, aprendam conosco.

Em Atos 10 o Espírito chega aos gentios, sem imposição das mãos e antes do batismo, mas com línguas mostrando que esses receberam o mesmo Dom  que os apóstolos. Isso foi um sinal de Deus apontando para a salvação entre os gentio.

Em Atos 19 os discípulos (provavelmente os de Apolo) não possuíam o Espírito Santo, nem o receberam quando creram (v. 2). Paulo não estava com Jesus, nem mesmo no pentecostes, mas esse evento mostra Paulo impondo sobre os gentios suas mãos. Isso é para mostrar que Paulo estava autorizado por Deus para proclamar o evangelho entre os gentios. Ainda que não haja qualquer descrição sobre o batismo de Paulo, ou se ele tenha orando em línguas ou não.

O que esse três eventos nos mostram é que Deus quer salvar pessoas de todas as tribos povos e raças, coisa que não aconteceria se por acaso a igreja não tivesse sido dispersa a partir de Atos 8, o próprio Pedro se sente mal ao Ter que ir até Cornélio. Atos 11.7 diz que Pedro só aceita isso por Ter sido o próprio Deus quem o fez.

Não há um padrão estabelecido, a uns o  Espírito vem no dia de  pentecostes, a outros depois; a uns por imposição de mãos, outros sem; a uns depois do batismo, a outros antes; Paulo diz apenas que foi batizado (onde, nas águas?) e nada mais. Os sinais indicam o cumprimento da promessa de Joel, mas esses eventos não se repetem mais na Bíblia. “O vento sopra onde quer” (João 3. 8). Se me perguntar qual o modo correto, direi que a Bíblia não mostra um único modo, me mostra pelo menos três.

Há uma unidade no corpo de Cristo, Deus não faz separação entre pessoas, o fato do Espírito ser mostrado em diversos lugares, de diversos modos me ensina que estamos unidos debaixo da mesma autoridade como nos mostra Paulo em Efésios 4. 1, 6. Desse modo eu não posso julgar alguém se recebeu o espírito Santo de um modo diferente do meu, nem posso ser julgado, estou feliz pelo modo como Deus a mim se apresentou e me salvou, ou todos temos que ver uma forte luz, ficar sego e ouvir uma voz?

Dizer que alguém não tem o Espírito  de Deus é dizer que esse tal não é salvo, pois Ele é o selo da salvação (Efésios 1. 13) ao contrário de Adão que perdeu a comunhão com Deus, quando se rebelou, eu posso Ter paz com Deus quando me converto (Romanos 5. 1), sendo novamente criado por Deus (II Coríntios 5. 17). O que se faz necessário é ver a atuação do Espírito na vida daqueles que dizem que O tem, crescendo na graça ou se enchendo do espírito. Jesus prometeu que tos os que crescem nEle receberiam o Espírito (João 7. 39)

Quanto aos dons do Espírito, são capacidades dadas por Ele a quem é habitado por Ele, pois o “Dom” é ele mesmo (Atos 2, 38), não creio em uma lista fechada ou final, Ele capacita conforme a necessidade de edificação do corpo. Por isso Ele pode dar línguas estranhas, se Ele quiser, pode dar profecias, se Ele quiser, e pode dar qualquer outra coisa, querendo Ele.

E quem sou eu, obra criada, para questionar meu criador?

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