“Porventura o Senhor olhará para a minha aflição, e me pagará com bem a maldição deste dia.”

                        
Geralmente os ungidões, do que tenho chamado de neocristianismo, evocam o que chamo de princípio de Davi. Da forma como o fazem, pela metade, torna-se nada mais que uma heresia comum, aceita e divulgada nos nossos dias. Os ungidões ficam apenas com a parte que diz o seguinte “não toques no ungido do Senhor”.

Para os desinformados, ungido do Senhor (para os ungidões) são todos aqueles que tem algum título eclesiástico, sejam desde os menores (pastores, missionários e anciãos) até os maiores (bispos, apóstolos e suplentes da trindade). A aplicação equivocada desse princípio é simples: falou mal da sua liderança, és um maldito! Pouco importa as provas ou argumentos, mexeu com eles, mexeu com Deus.

Esse princípio foi talhado por uma leitura mal feita de 2 Samuel (de forma equivocada sincera, ou mal intecionada), quando por duas oportunidades Davi poderia ter matado Saul e não o fez. Ao final de ambas disse, longe de mim levantar a mão contra o ungido do Senhor.

Então, vamos completar o principio de Davi com duas outras passagens, uma do próprio Davi.

Ele estava fugindo de Absalão quando se deparou com Simei, que começou a amaldiçoar o rei, dizendo “homem de Belial!” e “eis-te agora na desgraça”. Palavras singelas com traduções eufemísticas.

Pois bem, qual foi a reação do ungido (legítimo) do Senhor? Ele disse: “Deixai-o; deixai que amaldiçoe”. Parafraseando: não me importo.

Uau!  Numa visão um pouco mais ampla, o princípio de Davi não é o de “não toques no ungido do Senhor”, o princípio de Davi é “não pague o mal com o mal”. Quanta diferença!

A segunda passagem é o princípio de Jesus. Mesmo que hoje haja apóstolos que fazem mais milagres em uma noite que Jesus em toda a sua vida, o ungido de Deus não pode ser menosprezado. Para os ungidões, sofrer o mal e a injustiça, como Jesus sofreu, não cabe, não compensa. Não intimida as multidões. A cruz, para eles, é apenas simbolo de poder contra satanaz, não de humilhação.

A mal aventurança de homens que sustentam seus ministérios sob a mão do medo e do rogar o mal em nome de Deus há de ter o seu justo juízo diante do Senhor. Pois é fácil dizer ai daquele que levantar a mão; difícil é oferecer a outra face quem levantou a mão.

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