Houve um tempo em que tatuagem era coisa de bandido. Hoje não é mais. Houve um tempo em que tatuagem era subversiva. Hoje não é mais.
Houve um tempo em que uma pessoa com tatuagem corria risco de perder o emprego, ser a vergonha da família e ser idolatrado pelos amigos. Era muito mais que um ato de rebeldia, era uma contestação permanente contra a sociedade quadradinha e certinha. Hippie, drogado, marginal politizado; alguém que tem uma mensagem a passar ao mundo, ou alguém que quer o mundo se exploda.
Já foi! Não é mais. Modinha, careta e ultrapassado. Conversando com um amigo tatuador, há dias em que 4 ou 5 pessoas pedem o mesmo desenho na mesma região do corpo. Um inofensivo passarinho, uma fofinha estrelinha ou um dragão machão – ui! Todos vazios de significados, manifestação da cultura enlatada e de massa. O recado para o mundo é: eu sou um subproduto da cultura consumista.
Me sinto hoje totalmente subversivo, de cara, corpo e alma limpa. Meu recado para o mundo é: estou vencendo você.
Sim! Eu estou vencendo, não carrego no meu corpo as marcas da massificação cultural inútil, do desperdício do meu corpo e nem da inutilidade. Sou livre pra dizer que faço com meu corpo o que quero e o que não quero. Desafio a você que enjoou da pata do elefante (ou que tem um erro grosseiro de português) a se livrar disso. Desafio a apagar o nome daquele homem que você não ama mais. Desafio a se livrar da dor que as marcas de um momento impensado na sua vida te trouxe.
Te desafio a ser livre. Eu sou.

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