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O Fim do Lulismo?

Antes de qualquer coisa, você paulista que acha que o nordestino não sabe votar, o seu preconceito elege pessoas como Tiririca, Celso Russomano, Geraldo Falta D’água Alckimin e outras aberrações.

Dito isto, quero tecer algumas linhas de minha análise política do momento. Ser petista é como fazer parte de uma seita, é algo quase religioso; por isso eu chamo de peteísmo. É impossível discutir política com um peteísta na mesma proporção em que é impossível discutir futebol com um corintiano (não é atoa que Andrés Sanches foi o puxador de votos do PT, duas religiões se encontraram). Não digo isso como para escarnecer, mas para tentar explicar. Eles tentam negar essa observação tanto quanto qualquer fanático tenta negar sua visão reduzida de mundo. Ambos acham que só eles tem a salvação para o mundo, seja no plano espiritual ou político e cada um deles vê na apostasia o caminho para o apocalipse.

Como em qualquer seita que se prese há divergências de liderança, há profetas, há escritos… enfim, há um corpo doutrinário, ortodoxia e heterodoxia.

Nos últimos anos quem comandou a ortodoxia peteísta foi o lulismo. Na minha análise, um vertente mais malandra da seita. Disposta a se unir até com Judas para consolidar o caminho ao paraíso. Entre os milagres para atrair fiéis, o lulismo descobriu que amenizar a fome do nordestino seria um bom caminho. Possivelmente tenham aprendido isso com Jesus, quem não se lembra o que aconteceu após a multiplicação dos pães? O povo correu para fazer Jesus seu rei. Bom! Cada barbudo no seu galho! Ambos amenizaram a fome, mas não acabaram com ela; Jesus correu da multidão e Lula correu para a multidão. E as comparações acabam aqui, ok?

Bem ou mal, o PT olhou com um olhar diferente para o norte e nordeste (e só Jesus olha o coração), em 8 anos de governo FHC (e outros 500 anos de história) aquela região não viu uma gota de água de assistencialismo. É claro que o PT prometeu uma cruzada contra o coronelismo institucionalizado, mas o lulismo não quis assim, era mais fácil a ele se aliar.

Falar assim pareceria mentira, caso uma das poucas propostas que se viu nessa campanha foi a manutenção da bolsa família; essa foi a principal plataforma política de todos os candidatos, e inclusive foi nela que Marina se perdeu. Ora, prometer 13º de bolsa família foi milagre demais para a classe média aceitar “com o seu dinheiro” e para o assistido acreditar que de fato tal milagre se concretizasse, perdeu voto de ambos.

O sul, sudeste e o centro oeste, que pouco tem a ver com essa briga, resolveram que Aécio poderia ser Hades (odiado, mas com poder para derrotar Zeus), não porque odeia os pobres, ou o PT, mas porque odeia o lulismo. Fato que apoia minha tese é que Lula teria disse tempos atrás que ele elegeria quem ele quisesse. Fez isso com Dilma, fez com Haddad e… tentou fazer com outros postes e não conseguiu. Algo que está engasgado em diversas lideranças petistas e que veladamente é comemorado, assim me disse um passarinho (não foi um tucano, juro). Agora com a derrocada do lulismo (em alguns lugares até de forma humilhante) os peteístas precisaram repensar algumas coisas. E caso o totem supremo não se reeleja, o caos poderá vir fulminante, trazendo à seita, digo, ao partido uma enorme reforma, sob a forma de protestos dentre os seus seguidores (toda comparação tem seus problemas, estou consciente disso).

A eleição mais estranha que já acompanhei, traz consigo desdobramentos absurdos, como os paulistas que dizem preferir morrer de sede a serem governados pelo PT (ou pelo lulismo, tem coisa boa no PT, só que não chegou em São Paulo), ou uma boa parcela da população que acredita que uma mudança passa por deixar as coisas como estavam antes. Ou até mesmo, os nobres paulistas, que de tão superiores, não se incomodam de ter um analfabeto palhaço escrevendo suas leis. Esperto é o nordestino, que não tinha o que beber, mas agora tem o que comer.

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