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Depois de ter escrito o texto anterior (https://alexandreluquete.wordpress.com/2014/10/13/quem-elegeu-jean-wyllys/), e ver a boa repercussão que teve, alguns comentários me fizeram pensar no outro lado da moeda.

Quem elegeu Marco Feliciano foi o Jean Wyllys! Numa reflexão interessante, alguém disse o seguinte “um se retroalimenta do outro”.

Trocadilhos infames à parte, o ódio mútuo faz com ambos sejam mais importantes do que realmente são. A troca de fagulhas e purpurinas (de ambos os lados) faz com que paixões se acendam e com isso a sombra faz com que o monstro pareça maior do que é. Vamos analisar o caso Marco Feliciano à luz da fórmula Arlindo Chinaglia de eleição. Antes, lembando que sua fórmula diz que são eleitos para deputado três tipos de pessoas: os religiosos, os famosos ou os que tem 3 milhões no bolso.

Marco Feliciano entra na condição de religioso. É sabido que até outro dia ele não era famoso fora do seu círculo, nem tinha 3 milhões no bolso (pelo menos antes de ser político não tinha, certeza), mas ganhou sua primeira eleição em 2010 com quase 200 mil votos. Uma votação expressiva, é fato. Isso atestaria a fórmula Arlindo, mas é pouco, considerando que ele faz parte de uma igreja imensa que é a Assembleia de Deus.

Olhando a sua segunda votação, ele teve o dobro de votos, quase 400 mil. Ficando atrás apenas dos campeões da falta de sentido no mundo (Tiririca e Celso Russomano). Como teria conseguido impulsionar sua carreira?

Tente lembrar de algo relevante envolvendo o nome de Marco Feliciano? Pois é, se você é evangélico e tem um gosto duvidoso para música e teologia, ainda se lembrará dele, porém, o resto da humanidade o conhece apenas pelo seu ódio a Jean Wyllys (que é o meu caso, por exemplo). Um político sem propostas alguma é capaz de se manter na mídia (e na cabeça dos eleitores) simplesmente por se alimentar do ódio dos opositores. Sem construir nada, conseguiu estruturar sua carreira política.

Analisar a sua carreira política (fora dos portões evangélicos) não nos permite ir muito além das acusações de homofobia e de puxar a direitona com ele. Mesmo a sua suposta luta pela família em denúncias contra o “matricídio” e o “patricídio” não são suficientes para justificar a sua decolada nas urnas.

Claro que parte desse sucesso se deve muito aos manifestos de junho de 2013, enquanto muitos pediam a sua saída, cada vez mais seu nome era levantado. Assim, podemos dizer que, na mesma proporção que Jean Wyllys foi alavancado pela dupla assembleiana Silas – Feliciano e pelo grupo que eles representam, Feliciano foi catapultado às alturas por Jean Wyllys e pelos grupos que ele representa.

Nesse segundo artigo dessa trilogia, acho que já está claro que a fórmula Arlindo de eleição carece do elemento X. Em minha análise, esse elemento nada mais é que ter alguém para odiar. Então, não basta ser Religioso, Famoso ou ter 3 milhões no bolso. É preciso reunir 2 dessas características se você quiser se lançar com sucesso ao sucesso. É também preciso um pouco de sorte e uma boa propaganda. Ah! Essa pode ser contrária mesmo, em política, falar mal do meu produto é tudo o que eu preciso para sobreviver.

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